Audiência confirma prejuízos bilionários em fundos de pensão

 
Na última quarta-feira, 8, a Comissão de Defesa do Consumidor (CDC), presidida pelo deputado Eli Corrêa Filho, promoveu a sua terceira audiência pública do ano. Desta vez, o centro das atenções foram os fundos de pensão. Participaram da audiência administradores dos fundos de pensão Petros (Petrobrás), Funcef (Caixa Econômica Federal) e Postalis (Correios), representantes dos beneficiários e do Ministério da Previdência.
 
A Audiência Pública foi pedida após notícias de irregularidades envolvendo os principais fundos compostos por trabalhadores de empresas públicas. De acordo com dados apresentados na audiência, o déficit somado da Petros, Funcef e Postalis ultrapassa R$ 17 bilhões.
 
O deputado Eli Corrêa avalia que a audiência apontou um caminho tenebroso. “Testemunhamos investimentos arriscados, manobras financeiras temerárias e imobilização de capitais em negócios de baixíssima rentabilidade”. 
 
Eli destaca, ainda, algumas ações de gestão financeira que retiram dos planos a liquidez necessária para os compromissos assumidos com os participantes. “Esses fundos têm feito aportes milionários a empreendimentos de interesse do governo, como as usinas de Belo Monte, Jirau e Santo Antônio. Estamos aqui para apontar responsabilidades e buscar soluções”, apontou o presidente da CDC.
 
Velhice ameaçada
Três milhões de brasileiros ficam com a velhice em risco devido à má gestão e ao aparelhamento partidário dos fundos de pensão que têm patrimônio estimado em R$ 710 bilhões.
Jaime Mariz Junior, representante do Ministério da Previdência, disse que o sistema sofre com questões conjunturais, é robusto e tem reservas suficientes. 
 
Já os administradores da Postalis, Funcef e Petros relacionaram os prejuízos bilionários à diminuição dos preços de commodities como o minério de ferro no mercado internacional (uma vez que os fundos fizeram maciços investimentos na Vale), ao desempenho negativo nas ações adquiridas na Bolsa de Valores de São Paulo e a um maior volume de perdas em ações judiciais movidas por beneficiários.
 
Argumentos não satisfatórios
Os deputados que pediram a realização da audiência, não aceitaram os argumentos dos gestores. Carlos Henrique Gaguim, Celso Russomanno, Chico Lopes, Eliziane Gama e Márcio Marinho argumentam que os fundos foram contaminados de indicações politico-partidárias e não vem sendo fiscalizados pelo governo, por meio da Superintendência Nacional de Previdência Complementar, como seria esperado. Os membros da comissão adiantaram, ainda, que existe a possibilidade de intervenção administrativa contra os planos e eles estão atentos a isso.